Manual de pH para Iniciantes na Formulação de Cosméticos Naturais
- Franciele Rodrigues
- 12 de ago.
- 4 min de leitura
O pH, ou potencial hidrogeniônico, é um parâmetro essencial na formulação de cosméticos à base de água. Ele indica a acidez ou alcalinidade de uma solução em uma escala que varia de 0 a 14, onde valores baixos representam meios ácidos, valores altos indicam meios alcalinos e o pH 7 é considerado neutro.
Trata-se de uma escala logarítmica, o que significa que cada unidade representa uma variação de dez vezes na acidez ou alcalinidade. Assim, um produto com pH 5 é dez vezes mais ácido que um produto com pH 6.

O pH é um parâmetro estratégico, que impacta diretamente na eficácia, segurança e experiência sensorial do produto. Tratá-lo como parte do planejamento da formulação, e não como ajuste final, é essencial para criar cosméticos estáveis, seguros e de alta performance.
Importância do pH na formulação cosmética
Manter o pH adequado é fundamental para a integridade e o desempenho do produto. A pele humana apresenta um pH naturalmente ácido, geralmente entre 4,5 e 5,5, faixa em que a barreira cutânea apresenta funcionamento otimizado, o microbioma se mantém equilibrado e há menor propensão a irritações. Para os cabelos, valores levemente ácidos auxiliam no fechamento das cutículas, contribuindo para brilho, maciez e redução de frizz.
Além disso, diversos conservantes utilizados em cosméticos naturais apresentam eficácia máxima em meios levemente ácidos, tornando o ajuste de pH um fator determinante para a segurança microbiológica do produto.
Produtos que exigem controle de pH
A medição e o ajuste de pH são relevantes para qualquer formulação com fase aquosa, como tônicos, géis, séruns, shampoos, condicionadores e desodorantes.
Produtos anidros, como óleos, bálsamos e manteigas, não possuem pH, já que este parâmetro só existe na presença de água. Nesse caso, a avaliação de estabilidade considera outros fatores, como rancidez oxidativa, textura e aroma.
Medição de pH
A forma mais precisa de medir pH é utilizando um pHmetro de bancada ou portátil com compensação de temperatura. Esse equipamento deve ser calibrado no dia da medição, utilizando soluções padrão, geralmente pH 7 e pH 4, para garantir leituras confiáveis.
A leitura deve ser realizada com a amostra à temperatura ambiente, evitando espuma excessiva e sob agitação suave. Em formulações mais viscosas, é possível medir diretamente, mergulhando o eletrodo com cuidado, ou diluir a amostra em água destilada na proporção de 1:9 para facilitar a medição.
Para quem está começando ou produz de forma artesanal, as fitas indicadoras de pH podem ser uma alternativa viável, principalmente pela praticidade e baixo custo. Elas permitem uma boa noção da faixa de pH e são úteis para verificar se o produto está dentro do intervalo seguro para a pele e compatível com o conservante escolhido. No entanto, seu nível de precisão é limitado, especialmente para ajustes muito finos. Assim, quando possível, o ideal é evoluir para o uso de um pHmetro, garantindo maior controle e padronização das formulações.
Momentos ideais para medir o pH
É recomendada a medição em três momentos distintos:
Durante a formulação, ainda quente, sem realizar ajustes.
Após o resfriamento completo da amostra.
No dia seguinte à produção, para confirmar estabilidade.
Pequenas variações nas primeiras 24 horas são comuns devido a interações entre ingredientes, hidratação de espessantes e ação do conservante.
Ajuste de pH
Ajustar o pH requer precisão e gradualidade.
Para reduzir o pH: utilizar soluções aquosas de ácido cítrico ou ácido lático a 10%. O ácido cítrico é mais intenso e pode ser usado também para preparar soluções tampão com citrato. O ácido lático proporciona ajuste suave e sensorial agradável.
Para elevar o pH: utilizar soluções aquosas de hidróxido de sódio (NaOH) ou hidróxido de potássio (KOH), devidamente rotuladas e manipuladas com equipamentos de proteção individual. Evitar o uso de bicarbonato de sódio devido à instabilidade e possibilidade de formação de bolhas.
O procedimento deve ser realizado com o produto frio e homogeneizado, adicionando a solução corretiva aos poucos, sob agitação, até atingir o valor desejado. É fundamental registrar todos os ajustes realizados, incluindo quantidade, horário, temperatura e pH obtido.
Faixas de pH mais comuns em cosméticos
Produtos leave-on para a pele (tônicos, séruns, cremes): 4,5 a 5,5
Limpadores suaves, sabonetes líquidos e shampoos: 5 a 7,0
Condicionadores e enxágues ácidos: 4 a 5
Sabonetes saponificados: 8,0 a 10,0 (não é possível reduzir para valores fisiológicos sem descaracterizar o produto)
Relação entre pH e conservação
Conservantes orgânicos amplamente utilizados na cosmética natural, como sorbato de potássio e benzoato de sódio, apresentam maior eficácia em pH abaixo de 5,5. Blends como benzyl alcohol + ácido dehidroacético também preferem meios levemente ácidos. Por isso, o sistema conservante e o pH-alvo devem ser definidos simultaneamente na etapa de desenvolvimento da fórmula.
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